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terça-feira, 12 de julho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O dia da espiga

 A tradição diz que de manhã bem cedo, se possível antes do sol nascer, vai-se ao campo apanhar a espiga e outras flores campestres. E assim se faz um ramo que pode ter: espigas de trigo, cevada, centeio, aveia, ramo de oliveira, malmequer, papoilas, rosas, margaridas, pampilhos, alecrim, rosmaninho, e em algumas terras ramos de videira. No ramo, as espigas e as outras flores são sempre em número ímpar:  um, três ou cinco de cada qualidade.
  
 
Cada uma das flores tem um significado ou um desejo até ao próximo ano:

- Espiga: que haja pão, ou seja que não falte comida no lar,

- Ramo da oliveira: que haja paz e luz porque a oliveira produz a azeitona que se transforma em azeite para a iluminação das lamparinas,

-Videira: que haja uvas e vinho,

- Outras flores: que haja alegria,
Cada cor também tem significado: os malmequeres são riqueza, se forem amarelos é ouro, se forem brancos é prata; a papoila vermelha é o sangue de Jesus significa amor e vida, o alecrim e o rosmaninho saúde e força.
Guarda-se o ramo de um ano para o outro, se possível por detrás da porta da entrada da casa, e só é retirado no ano seguinte para ser substituído por um novo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Banho do 29

O banho do 29 ainda é uma tradição que se usa em Monchique. Antigamente, na noite de 28 de Setembro, havia a tradição popular das gentes de Monchique se juntarem, pegarem nos carros de besta e deslocarem-se até ao “Algarve” afim de se banharem na praia, por volta da meia-noite.

Acreditavam que um banho tomado nesse dia equivalia a ter-se banhado todos os dias do mês. O ambiente era de romaria em que toda a gente partilhava o farnel que levava. A festa durava pela noite dentro com baile e muita diversão só acabando com o regresso à vida serrana.
Actualmente a Freguesia de Monchique organiza, para os populares, uma ida à praia do Vau na noite de 28 de Setembro com o objectivo de manter a tradiçao. Esta é seguida à risca com os trajes tradicionais da ocasião, com comida e bebida à “fartazana” e o já habitual bailarico.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Desfolhada

   No mês de Maio ou Junho semeava-se uma semente de cor amarela, branca ou vermelha que, passado alguns meses, originava uma planta com mais ou menos 1,5m de altura, folhas largas e bem verdes, uma espiga com flor amarela no cimo e várias maçarocas em cada pé. Retirava-se esta espiga do milho a que se chama bandeira e as folhas verdes e grandes a que se dá o nome de folhada. a recolha da bandeira e da folhada ainda hoje serve de alimentação para os animais.

Maçaroca de milho
   Em Setembro ou Outubro fazia a apanha da maçaroca do milho e ao mesmo tempo também se preparava a eira onde este ficava a secar. Essa eira era preparada com estrume de vaca que ia sendo espalhado e que era depois pisado por um rebanho de cabras, que andavam durante horas em círculos, umas atrás das outras até ficar tudo direito e seco.

A eira com o milho a secar

   Depois, as maçarocas eram levadas para a eira e eram descascadas, ou seja, retirava-se a fatana (o que envolve o milho). Quando um rapaz ou rapariga encontrasse uma maçaroca de milho vermelho, mandava a tradição, que tinha que abraçar a pessoa do sexo oposto mais próxima.
A descascar o milho

   Algumas maçarocas tinham más formações e em vez de terem milho, eram todas pretas - fungão, e era passado pela cara das pessoas, como forma de brincadeira, ficando estas todas sujas. Quando o trabalho chegava ao fim havia bolos e aguardente e um tocador e fazia-se um baile.

Finalmente o milho era seco e serviam tanto para a alimentação dos animais, como para as pessoas comerem as chamadas papas ou o bolo do tacho. A fatana depois de seca e de lhe retirarem o talo servia para encher as camas para as pessoas dormirem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Morte de porco

Este foi um trabalho de grupo do primeiro período. Queríamos dar uma perspectiva abrangente do fenómeno social que representou a tradição da matança do porco em Monchique e, penso que esses objectivos foram minimamente conseguidos. 


    

Já a qualidade técnica não será exemplo pois a sincronia imagem/narração, os pontos 'mortos', a locução e a inserção de música podiam ter sido mais bem conseguidos, se houvesse meios técnicos disponíveis e mais tempo. (principalmente para o lado do fim onde costuma escassear).